segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ai que vontade de contar um segredo...

Não posso. Alea jacta est. Uma vez me disseram que se a gente verbaliza o desejo, ele pode vir a não acontecer. Sabe aquilo que você quer muito? Então, não conte. Eu nunca consigo fazer isso. Será que é isso que tenho feito de errado? Ser expansiva é uma merda. Mas dessa vez vou fazer tudo certinho. Me empenhar em silêncio. Ainda que eu morra de comixão por não contar. E fui antes que eu abra a minha grande boca.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

As vontades inconfessáveis...

O que você quer, cobiça, deseja, mas não admite nem pra si mesmo? Eu queria entrar na cabeça das pessoas pra espionar o indizível, o que é invisível ao comportamento social. Por exemplo, os desejos secretos de uma senhora de idade. O que ela fantasia? Porque é uma grande besteira pensar que a pessoa não fantasia só porque é velha. Velhos não são assexuados. E velho tem licença poética pra dizer o que quiser, o maior absurdo imaginável, simplesmente porque viveu bastante. E quem não entender ou se indignar, é só botar a culpa na caduquice. Mas a única senhora idosa que eu me lembro ter rasgado o verbo, ter barbarizado, foi a Dercy. Mas a Dercy não conta, afinal ela passou a vida sem papas na língua. Chegava a ser um tanto caricata. O que eu queira saber de verdade, é o que vai além do personagem. Saber o que uma senhora comum, dos seus oitenta anos, deseja ou fantasia, nos dias de hoje. O tipo de coisa de quem não tem nada a perder. Vou bolar um jeito de extrair o impensável das pessoas mais inusitadas. Fica como um projeto. Sei lá, montar no meio da rua a caixinha do "não tenho nada a perder". Isso até dava um curta. Montar uma cabine na praça da Sé, tipo uma urna eleitoral, com papel e caneta pra uma confissão anônima, só constando o sexo ou idade. Tenho certeza que pra muita gente isso seria uma válvula de escape. E eu mataria um pouco da minha curiosidade. Porque essa cabeça aqui, meu amigo, está povoada de idéias incofessáveis.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A lei do desejo

Por mais que amor, fidelidade, lealdade façam promessas, quem dá a última palavra é o desejo. Sempre. Aliás, ser leal, tem haver com compromisso, ou melhor, comprometimento de si em relação a algo ou alguém. Esse comprometimento pode ter um preço. Um preço que pode implicar em abrir mão do próprio desejo. Ok, você pode dizer, sou fiel/leal ao meu próprio desejo. Sorry, honey, mas isso não é ser fiel ou leal, isso é ser egoísta. Quer ser fiel ao próprio desejo, então siga só. Que é o que vai acabar acontecendo mesmo.
Beijo, e não me liga.
Hoje sou só decepção.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É carnavaaaaaaal!!!

É carnaval. Se joga, entrega o corpo pro capeta, seja feliz, louco, inconsequente, faça algo que nunca fez... Só não esqueça da camisinha e de pegar taxi, porque, cá pra nós, a gente vai ficar mais louco que saci de patinete...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

http://www.youtube.com/watch?v=jJj6JS7XLZY

Por que a solidão esmaga tanto?

Tá bom, descobri uma questão para análise. Mas isso me intriga de verdade. Por que a solidão incomoda tanto? Por que é necessário estar sempre com os outros, entre os outros, ser o alvo do afeto, das preocupações? Bom, acho que já fugi um pouco do tema ou já o ampliei demais. Por mais que eu conheça legitimamente pessoas que gostam de ficar consigo mesmas, isso não quer dizer que elas estejam imunes a solidão. Na real, não conheço ninguém que esteja. Será possível ver a solidão sem essa conotação tão pesada? Gostaria imensamente. Quero me livrar dessa carga dramática. E o único jeito de fazer isso, se é que isso é possível, é descobrir o que está por trás desse sentimento tão angustiante. Talvez o primeiro passo seja identificar quando a solidão bate. Acho que ela pode acontecer mesmo entre amigos. Talvez porque ela venha acompanhada de um sentimento de não pertencimento. Poxa, mas não pertencimento  entre amigos? Vai entender... A verdade é que nascemos e morremos sós, e "cada um sabe a dor e a délicia de ser o que é"... Então, por que solidão é lava que cobre tudo? Ai, que angustia...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Estrangeira

As vezes me sinto estrangeira entre os meus. Como se tudo que eu digo não expressasse realmente a minha vontade, bem a maneira de quem não domina totalmente uma outra língua.

Essa falta de domínio está muito mais ligada a toda a minha bagunça emocional que a ausência de um vocabulário específico.

Porque é tão difícil se conectar com o outro de modo que a conversa reflita exatamente as intenções e os sentimentos?

Será o meu medo ou o encontro do meu medo com o medo do outro?

Talvez eu não seja o único caos ambulante. Certamente não sou. O difícil é esse caos dialogar. Meu caos, seu caos. Será que um dia haverá cosmos?

Cada vez chego mais próximo de crer que os maiores entendimentos, as verdadeiras comunhões, são aquelas sem palavras, no instante em que apenas um olhar reflete a alma.