Um blog pra falar do feminino, sobre o que for existencial ou não, essencial ou fútil, mas que tenha verdade, humor, sacanagem, desafio, arte, cultura, amizade, experiências verdadeiras ou fictícias. Bem vindo a nowhere land.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Feliz ano novo ou o "não homem Oçanha"
Acabei de me sentir inspirada e o computador tava do lado, por uma frase do Chico Sá - amo - e resolvi escrever, retomar, voltar à vida interior interrompida pela turbulência externa... e ô turbulência boa. Enfim, o Chico disse que tem muito homem Oçanha, aquele homem que "diz vou, não vai". Muitos hahahas depois, resolvi falar o quanto não tenho sido Oçanha. Não que eu seja homem, apesar de me identificar com o gênero muitas vezes - coisas de feministas não-lésbicas - mas o que interessa é o não ser Oçanha. Se eu digo que vou, vou mesmo. Fui pra Recife, fui pra Olinda, resolvi mudar pra lá. Tá, ainda não fui, mas, porém, todavia, entretanto, tô preparando - mesmo - minha "caminha" por lá. E em termos de resoluções de ano novo estamo indo muito bem, obrigada. Dá até um certo orgulho, uma superioridade consciente em anunciar: finalmente, depois de passar metade da minha vida fumando (quase 16 anos, então faça as contas você), PAREI DE FUMAR! Não que já não viesse tentando, e que a asma não fosse um incentivo a mais, uma motivação, o fato é que depois de me debater quase dois anos, consegui. É pra sempre, sem o peso esmagador do pra sempre. Lindo isso! E as conquistas não param por aí, afinal, qualquer um para de fumar. As conquistas estão foda. Foda não, fodásticas! Conquistei o direito de trabalhar em casa! O que não significa que eu possa correr feliz e saltitante pra Recife, mas me ajuda deveras na concretização do plano. Não se afobe não que nada é pra já, mas é fato consumado que no máximo daqui 04 (quatro - olha como eu dou tempo ao tempo?) vou estar parindo filhos cangaceiros em areias Pernambucanas. Parindo é uma metáfora, mas também pode não ser. Morar no Recife ou em Olinda, vai me dar tanto prazer que sou capaz de sucumbir à maternidade. E experimentei ainda outro dia, um prazer infantil, até então nunca provado: o prazer de ser ciclista numa ladeira com o "vento-vida-orgasmo" na cara. Não aprendi, nem vou aprender nunca a andar de bicicleta (muito arriscado pra uma pessoa sem o menor equílibrio + afeto excessivo pela própria arcada dentária). Explico-me: Outro domingo, passando dor de cotovelo pela ciclovia pensei: por que não comprar um triciclo para adultos? Será que tem? E são-google minutos depois, descobri uma fábrica a seis quarteirões da minha casa, pedi, comprei, seis vezes no cartão e eu mesma fui buscar menos de uma semana depois do insight. Descobri tanta coisa que eu não sabia com isso. Que a felicidade está muito mais perto do que pensamos, que uma idéia pode acabar com invejas e frustrações, pra tudo que não a morte tem jeito, que ser feliz é simples e basta querer, que minha risada ainda é tola como aos quatro anos de idade e que ainda sou capaz de fantasiar que voo com meu triciclo... Sou sorriso de orelha a orelha, e por mais clichê que essas descobertas pareçam, são a mais pura verdade dentro dessa coisa alma que me habita. Ah, e dentre as conquistas do "não Oçanha ser" está o desejo de contar os fragmentos do prazer diário. Não, não vou narrar orgasmos, nisso a Natara Ney já é insuperável. Vou revelar os negativos dos personagens inusitados e que me fazem parte hoje, na lembrança, no imaginário. Vou ali viver e já volto. Fogos de artifício no coração.
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