sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnavais


Em São Paulo é chuva. Não de serpentina, é literal. Pode até ser que em meio à tormenta apareça algo novo e inesperado. Ano passado foi um sucesso. O acaso me brindou. Rock carioca no túmulo do samba, com bateria de escola de samba pra chacoalhar a mistura em meio ao coquetel de texturas da Augusta. E subir ou descer, mais descer a carretera babilônica, sempre desperta um lado festivo e insano que guardo sob a superficie. Dissimuladamente eufórica. Hoje temos muitas opções e muitas pessoas pra misturar e torcer pra dar certo: ex-amantes, novos maridos, heteros do interior, gays cosmopolitas. Why worry? É a síntese do carnaval. Agora é superar o "unidunitê": Alberta, Studio SP, ou "Festa da Fuleiragem" na Vila? Confesso que o termo fuleiragem me agrada bastante, mas chegar e sair da Madalena em tempos de lei seca é mais complicado e fora do circuito Paulista-Roosevelt. O que angustia é que eu sinceramente quero me jogar, apesar da chuva, das pessoas que podem não combinar mas que eu amo, mesmo as impostas. Dá vontade de sair sozinha e me misturar entre desconhecidos, como me perdi no Recife. E estar em Recife seria irresistível. Não vai ter jeito, cedo ou tarde vou fugir pra lá. Sampa tem essa loucurada pseudo-carnavalesca com toque de mundo, São Luis do Paraitinga no caminho pro mar - pertinho, mas dependendo de uma amigo animado e abstêmio (combinação difícil) pra fazer o bate e volta dirigindo - e um pouco a diante Paraty, com o bloco da lama e a eterna base em Prumirim - same issue of alcohol. Recife tem todo o meu imaginário de facilidades, dos amigos de boteco aos taxistas honestos e os aluguéis baratos. Tem meu coração perdido logo ali nas ladeiras de Olinda. Que droga, Pernambuco acabou com meu carnaval.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Feliz ano novo ou o "não homem Oçanha"

Acabei de me sentir inspirada e o computador tava do lado, por uma frase do Chico Sá - amo - e resolvi escrever, retomar, voltar à vida interior interrompida pela turbulência externa... e ô turbulência boa. Enfim, o Chico disse que tem muito homem Oçanha, aquele homem que "diz vou, não vai". Muitos hahahas depois, resolvi falar o quanto não tenho sido Oçanha. Não que eu seja homem, apesar de me identificar com o gênero muitas vezes - coisas de feministas não-lésbicas - mas o que interessa é o não ser Oçanha. Se eu digo que vou, vou mesmo. Fui pra Recife, fui pra Olinda, resolvi mudar pra lá. Tá, ainda não fui, mas, porém, todavia, entretanto, tô preparando - mesmo - minha "caminha" por lá. E em termos de resoluções de ano novo estamo indo muito bem, obrigada. Dá até um certo orgulho, uma superioridade consciente em anunciar: finalmente, depois de passar metade da minha vida fumando (quase 16 anos, então faça as contas você), PAREI DE FUMAR!  Não que já não viesse tentando, e que a asma não fosse um incentivo a mais, uma motivação, o fato é que depois de me debater quase dois anos, consegui. É pra sempre, sem o peso esmagador do pra sempre. Lindo isso! E as conquistas não param por aí, afinal, qualquer um para de fumar. As conquistas estão foda. Foda não, fodásticas! Conquistei o direito de trabalhar em casa! O que não significa que eu possa correr feliz e saltitante pra Recife, mas me ajuda deveras na concretização do plano. Não se afobe não que nada é pra já, mas é fato consumado que no máximo daqui 04 (quatro - olha como eu dou tempo ao tempo?) vou estar parindo filhos cangaceiros em areias Pernambucanas. Parindo é uma metáfora, mas também pode não ser. Morar no Recife ou em Olinda, vai me dar tanto prazer que sou capaz de sucumbir à maternidade. E experimentei ainda outro dia, um prazer infantil, até então nunca provado: o prazer de ser ciclista numa ladeira com o "vento-vida-orgasmo" na cara. Não aprendi, nem vou aprender nunca a andar de bicicleta (muito arriscado pra uma pessoa sem o menor equílibrio + afeto excessivo pela própria arcada dentária). Explico-me: Outro domingo, passando dor de cotovelo pela ciclovia pensei: por que não comprar um triciclo para adultos? Será que tem? E são-google minutos depois, descobri uma fábrica a seis quarteirões da minha casa, pedi, comprei, seis vezes no cartão e eu mesma fui buscar menos de uma semana depois do insight. Descobri tanta coisa que eu não sabia com isso. Que a felicidade está muito mais perto do que pensamos, que uma idéia pode acabar com invejas e frustrações, pra tudo que não a morte tem jeito, que ser feliz é simples e basta querer, que minha risada ainda é tola como aos quatro anos de idade e que ainda sou capaz de fantasiar que voo com meu triciclo... Sou sorriso de orelha a orelha, e por mais clichê que essas descobertas pareçam, são a mais pura verdade dentro dessa coisa alma que me habita. Ah, e dentre as conquistas do "não Oçanha ser" está o desejo de contar os fragmentos do prazer diário. Não, não vou narrar orgasmos, nisso a Natara Ney já é insuperável. Vou revelar os negativos dos personagens inusitados e que me fazem parte hoje, na lembrança, no imaginário. Vou ali viver e já volto. Fogos de artifício no coração.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O silêncio antes do estampido

Estou quieta e permaneço tranquila no semblante. Menos falante, quase soturna. O que cê tem? Tá quietinha? Nada. Tô bem. Por dentro tudo fervilha. Tenho medo de verbalizar a mudança. E agora é diferente. Planos traçados sendo cumpridos. Perspectivas que jogam fora uma existência e iniciam outra. Começar de novo. Essa calmaria aparente me fez assumir cigana. Nada pode durar pra sempre... talvez o amor. Vou te apanhar pelos cabelos e levar comigo. Te aprisiono com um anel, pró-forma, se necessário. Tua alma eu já levo comigo cativa e livre. Te arrasto comigo pro cerrado, pras entranhas desse país. Dez anos se passaram e São Paulo é um velho amigo, a quem eu encarrego alguns pertences. Nada é pra já. Mas ainda é mais movimento do que é definitivo. Definitivo na boca de um ser tão mutável perde a força. Melhor dizer que é o tempo do que é consumado. Vou partir...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Tomei cachaça e li Natara

Mais um post bêbado e isento de super-ego... Mas a verdade é que sinto falta de movimento. Posto e provoco. Espero resposta. Como é difícil não ser algo palpável. Sinto que os sonhos só são bons por serem inalcansáveis. Quero entrega, loucura e delícia. E se apostarmos no improvável? Ou devo seguir solitária? Algo me diz que mais sensato é o caminho só. E como precisa de pouco aquele que se entrega a experimentação. Nunca li Kerouak, mas confesso que o que o Walter Salles retratou na película foi um tapa na cara... Escrever com tão pouco e por nada em troca... simplesmente pra retratar quão intensa a vida pode ser. Talvez o peso seja pela vida que não é... Não a necessidade de experimentar extrassensorialmente -  ácido/ mescal/alucinógino de farmácia -  mas pela necessidade pulsante de se fazer registrar, sem comer, sem beber, sem dormir. Mas a intensidade do trivial, dos laços não-sanguíneos, do saltos no escuro que são as amizades para a vida. Se for pra ser morno, não quero nem meu café. O filme mexeu comigo, a vida me chamou pra dançar, num bailado que me lembrou de que devo a mim mesma, ainda que no imaginário, ainda que pelo instante de uma fagúlha. Te devoro... vida!

sábado, 30 de junho de 2012

Yael Naim

Estou encantada com Yael Naim e o que ela fez com a música tola da Britney. A introdução lembra uma caixinha de música. Let's enjoy...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Profissão Deus

Entre dilemas e a ansiedade, vira e mexe me pergunto do que eu gosto realmente, se eu faço o que quero da vida, ou o que eu realmente gostaria de fazer. Claro que em termos profissionais. Afetivamente e no ócio, reino quase absoluta. Faço o que eu quero sim. A grande indagação é se trabalho tem que ser mais que meio de vida. A vida são só aquelas oito horas, ou é só o que resta delas? Minha intuição me diz que a vida é todo o conjunto em equilíbrio. Porém, equilíbrio? Pra mim? Eu, esse amontoado de caos no cosmo? Com toda sinceridade, não consigo manter o interesse por nada por tantas longas horas como o trabalho exige. Então sigo pilotoautomático. Profissão dos sonhos seria algo que eu inventei e batizei de "sábio da aldeia" ou "se eu fosse Deus a vida bem que melhorava". Explico-me. Essa profissão inovadora consistiria em moi, confortavelmente sentada, ou semideitada (ainda não decidi), whatever, memorize o confortavelmente, recebendo pessoas que depositariam sua total confiança em mim, contariam seus problemas/segredos/angústias, e eu opinaria, proporia soluções. Com a condição de que a pessoa teria que se comprometer a fazer exatamente o que eu dissesse. Pretenciosa o bastante?Ilimitadamente. E perceba que não estou falando da função de ouvir, inerente aos terapeutas, psicanalistas, psicólogos. O que eu queria mesmo era dar o palpite, decidir a vida, resolver o problema, dar um rumo na vida dos outros, incondicionalmente obedecida. Tipo mãe da gente quando se é criança e sem direito a travessuras. Gargalho. Profissão? Deus. Me ouça que eu dou jeito na sua vida, porra!!!! Ótima maneira de não dar jeito na minha. E só uma perfeita inútil pra perder tempo com esse tipo de delírio. Gargalho e me divirto. Pra falar a verdade, bem verdadeira, e só cá entre nós: eu sou bem feliz. Seja no meio de vida do trabalho,  seja na vida afetiva e no ócio. E manda uma cerva gelada...