No espelho vejo pés em forma de pão francês, gordinhos e pequenos. Pequenos para a altura de um corpo entre um 1,70 e 1,80 (não adianta ser precisa porque eu sempre pareço ser maior).
Sobre os pés, uma bunda descomunal. Essa parte é quase um ser autônomo. Não é meu amigo na hora de entrar no provador da loja e pedir uma calça jeans. Um dia resolvi ficar bem magrinha e me livrar dele. Fiquei. E me senti frágil, impotente, nua, devassada... Antes "devassinha" do que devassada. Assumi o ser, a grande bunda.
Sobre a bunda tem um pescoço comprido e sobre os ombros caem cabelos lindamente alisados a cada seis meses (Obrigada Nossa Senhora da Escova Progressiva! Na sua igreja eu pago o dízimo feliz).
No rosto tem olhos pequeninos, levemente estrábicos, mas que parecem grandes por estarem sempre arregalados.
Bem no meio um nariz que papai me deu, depois se arrependeu e achou razoável pagar por um novo.
Em destaque mesmo, uma boca com cinquenta e quatro dentes, depois da extração dos quatro sisos, e um sorriso enorme e quase permanente, meio louco como do Coringa, meio sarcástico como o do gato de Alice.
A natureza pode não ter acertado nas proporções, mas fez do caos o meu cosmo.
Um blog pra falar do feminino, sobre o que for existencial ou não, essencial ou fútil, mas que tenha verdade, humor, sacanagem, desafio, arte, cultura, amizade, experiências verdadeiras ou fictícias. Bem vindo a nowhere land.
domingo, 2 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Bem vindos a inauguração de nowhere land!!!
Esse blog é formado por uma mulher que são muitas, ou algumas mulheres que são uma. Aqui é terra de ninguém, aqui é lugar nenhum. E não teremos travas na língua!
Somos aquelas que já tiveram um "futuro brilhante": as melhores alunas da sala, as cdfs deslocadas, as que "são pra casar", as que vão "se dar bem na vida", orgulho de mamãe...
Mas de repente, opa! O cavalo paraguayo dispara na primeira curva, sai na frente do páreo, mas eis que... ouve Bob Marley tocar em algum lugar, gosta do barulhinho, bate a baianidade nagô e pensa: vou correr pra que? O passeio é que é interessante. E tropeça ... A tropa inteira passa por ele, frustrando as expectativas dos apostadores.
Nós somos os cavalos paraguayos ... Gente bem enquadradinha que se desenquadrou. Caiu da moldura e foi pra vida real. Sem o emprego dos sonhos mas com muitos sonhos. Sem o pensamento padrão. Um certo desprezo pelo convencional e muita, muita falta de foco.
Gostamos do diferente, do poético, do sarcástico, do ridículo, do tragicômico.
Nós somos meninas más.
Somos aquelas que já tiveram um "futuro brilhante": as melhores alunas da sala, as cdfs deslocadas, as que "são pra casar", as que vão "se dar bem na vida", orgulho de mamãe...
Mas de repente, opa! O cavalo paraguayo dispara na primeira curva, sai na frente do páreo, mas eis que... ouve Bob Marley tocar em algum lugar, gosta do barulhinho, bate a baianidade nagô e pensa: vou correr pra que? O passeio é que é interessante. E tropeça ... A tropa inteira passa por ele, frustrando as expectativas dos apostadores.
Nós somos os cavalos paraguayos ... Gente bem enquadradinha que se desenquadrou. Caiu da moldura e foi pra vida real. Sem o emprego dos sonhos mas com muitos sonhos. Sem o pensamento padrão. Um certo desprezo pelo convencional e muita, muita falta de foco.
Gostamos do diferente, do poético, do sarcástico, do ridículo, do tragicômico.
Nós somos meninas más.
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