quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

As vontades inconfessáveis...

O que você quer, cobiça, deseja, mas não admite nem pra si mesmo? Eu queria entrar na cabeça das pessoas pra espionar o indizível, o que é invisível ao comportamento social. Por exemplo, os desejos secretos de uma senhora de idade. O que ela fantasia? Porque é uma grande besteira pensar que a pessoa não fantasia só porque é velha. Velhos não são assexuados. E velho tem licença poética pra dizer o que quiser, o maior absurdo imaginável, simplesmente porque viveu bastante. E quem não entender ou se indignar, é só botar a culpa na caduquice. Mas a única senhora idosa que eu me lembro ter rasgado o verbo, ter barbarizado, foi a Dercy. Mas a Dercy não conta, afinal ela passou a vida sem papas na língua. Chegava a ser um tanto caricata. O que eu queira saber de verdade, é o que vai além do personagem. Saber o que uma senhora comum, dos seus oitenta anos, deseja ou fantasia, nos dias de hoje. O tipo de coisa de quem não tem nada a perder. Vou bolar um jeito de extrair o impensável das pessoas mais inusitadas. Fica como um projeto. Sei lá, montar no meio da rua a caixinha do "não tenho nada a perder". Isso até dava um curta. Montar uma cabine na praça da Sé, tipo uma urna eleitoral, com papel e caneta pra uma confissão anônima, só constando o sexo ou idade. Tenho certeza que pra muita gente isso seria uma válvula de escape. E eu mataria um pouco da minha curiosidade. Porque essa cabeça aqui, meu amigo, está povoada de idéias incofessáveis.

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