No espelho vejo pés em forma de pão francês, gordinhos e pequenos. Pequenos para a altura de um corpo entre um 1,70 e 1,80 (não adianta ser precisa porque eu sempre pareço ser maior).
Sobre os pés, uma bunda descomunal. Essa parte é quase um ser autônomo. Não é meu amigo na hora de entrar no provador da loja e pedir uma calça jeans. Um dia resolvi ficar bem magrinha e me livrar dele. Fiquei. E me senti frágil, impotente, nua, devassada... Antes "devassinha" do que devassada. Assumi o ser, a grande bunda.
Sobre a bunda tem um pescoço comprido e sobre os ombros caem cabelos lindamente alisados a cada seis meses (Obrigada Nossa Senhora da Escova Progressiva! Na sua igreja eu pago o dízimo feliz).
No rosto tem olhos pequeninos, levemente estrábicos, mas que parecem grandes por estarem sempre arregalados.
Bem no meio um nariz que papai me deu, depois se arrependeu e achou razoável pagar por um novo.
Em destaque mesmo, uma boca com cinquenta e quatro dentes, depois da extração dos quatro sisos, e um sorriso enorme e quase permanente, meio louco como do Coringa, meio sarcástico como o do gato de Alice.
A natureza pode não ter acertado nas proporções, mas fez do caos o meu cosmo.