quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O silêncio antes do estampido

Estou quieta e permaneço tranquila no semblante. Menos falante, quase soturna. O que cê tem? Tá quietinha? Nada. Tô bem. Por dentro tudo fervilha. Tenho medo de verbalizar a mudança. E agora é diferente. Planos traçados sendo cumpridos. Perspectivas que jogam fora uma existência e iniciam outra. Começar de novo. Essa calmaria aparente me fez assumir cigana. Nada pode durar pra sempre... talvez o amor. Vou te apanhar pelos cabelos e levar comigo. Te aprisiono com um anel, pró-forma, se necessário. Tua alma eu já levo comigo cativa e livre. Te arrasto comigo pro cerrado, pras entranhas desse país. Dez anos se passaram e São Paulo é um velho amigo, a quem eu encarrego alguns pertences. Nada é pra já. Mas ainda é mais movimento do que é definitivo. Definitivo na boca de um ser tão mutável perde a força. Melhor dizer que é o tempo do que é consumado. Vou partir...

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